Pequim inaugurou o maior terminal aeroportuário do mundo

Retirado deste artigo do Público.

“O avião da Shandong Airlines proveniente da província de Shandong, inaugurou hoje o maior terminal aeroportuário do mundo, com a dimensão correspondente a 170 campos de futebol. A obra ficou concluída a tempo dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, em Agosto.

O avião da Shandong Airlines chegou ao Terminal 3 do Aeroporto da capital chinesa cerca das 09h00 horas locais (01h00 em Lisboa).

“Estou muito entusiasmado, este é o maior terminal do mundo. Estamos orgulhosos da sua arquitectura e da construção”, disse aos jornalistas o presidente do aeroporto, Wang Jiadong.

O novo edifício foi concebido pelo arquitecto britânico Norman Foster e custou 2,7 mil milhões de dólares (1,77 mil milhões de euros), sendo a maior estrutura coberta do mundo.

O arquitecto britânico criou a obra à semelhança de um dragão gigante, com uma longa cauda e clarabóias de formato triangular que lembram as escamas da mítica criatura e permitem aproveitar ao máximo a luz natural e conservar o calor.

Foster utilizou vidro e aço para a estrutura em forma de “I” e recorreu à alta tecnologia para unir elementos arquitectónicos tradicionais chineses, como as colunas vermelhas e o tecto curvilíneo dourado que evocam os palácios imperiais da China.

O edifício ocupa 986 mil metros quadrados, o equivalente a 170 campos de futebol.

As pistas estão desenhadas para receber o A380, o gigante da construtora aeronáutica europeia Airbus, e o controlo das bagagens é realizado pelos sistemas de tecnologia mais avançada.

Nas instalações, os passageiros terão acesso a mais de 64 restaurantes e mais de 90 lojas, e poderão chegar ao centro da cidade através de um comboio de alta velocidade.

O terminal levou quatro anos a ser construído, com 50 mil operários a trabalhar na obra.

Três pessoas morreram na construção, confirmaram as autoridades chinesas.

O mega-terminal vai permitir um trânsito de 76 milhões de passageiros por ano, ultrapassando os 53,7 milhões que circularam em 2007 pelo aeroporto de Pequim, um dos dez mais movimentados do mundo.

O novo espaço deverá diminuir os atrasos e as filas no aeroporto de Pequim, que funcionou muito acima da sua capacidade para receber 35 milhões de passageiros em 2007.

A cidade anfitriã dos Jogos Olímpicos, entre 8 e 24 de Agosto, tem agora capacidade para receber os mais de 60 milhões de visitantes que se esperam chegar a Pequim este ano.

Quando estiver totalmente operacional, o novo terminal suportará 1590 voos e aterragens por dia para um volume de 208 mil passageiros.

O novo terminal vai acolher 26 companhias aéreas chinesas e internacionais das quais seis já estão a funcionar no local: a Sichuan Airlines, a Shandong Airlines, a Qatar Airways (Qatar), a Qantas Airways (Austrália), British Airways (Reino Unido) e a Al Israel Airlines (Israel).

A Air China e a transportadora alemã Lufthansa, entre outras, começam a operar no terminal a 26 de Março.

Os analistas acreditam que a capacidade máxima do aeroporto vai ser insuficiente em pouco tempo, reflectindo o problema recorrente do aumento do tráfico aéreo em paralelo com o crescimento económico chinês sem precedentes.

A capacidade “deverá ser suficiente para os Jogos Olímpicos”, afirmou à imprensa Adrian Lowe, um analista de aviação da casa de investimentos CLSA, de Hong Kong.

“Mas o que vai acontecer depois dos Jogos? Na minha opinião, Pequim vai precisar de outro aeroporto. Isto está a acontecer por todo o lado na China”, continuou Lowe, adiantando que a China não tem os aviões, os aeroportos nem os pilotos para uma nova estrutura aeroportuária.

O tráfico aéreo na China aumentou 16 por cento no ano passado para 185 milhões de viagens de passageiros e estima-se que chegue aos 210 milhões em 2008.

As autoridades chinesas estão a tentar por todos os meios acompanhar este ritmo de crescimento, com mais de 100 novos aeroportos planeados por todo o país até 2020, que custará mais de 60 mil milhões de dólares (cerca de 39,5 mil milhões de euros), incluindo o mais alto do mundo, no Tibete.”